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OMC está sem instância de apelação; e isso importa para todos

Redação Recifes
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OMC está sem instância de apelação; e isso importa para todos

OMC está sem instância de apelação; e isso importa para todos. A Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma fragilidade estrutural.

O que aconteceu

A Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma fragilidade estrutural.

Seu órgão de apelação está sem membros em exercício e permanece inoperante desde 2019.

O sistema de solução de controvérsias continua dispondo de painéis para examinar disputas, mas, sem um órgão de apelação em funcionamento, perdeu sua etapa final de revisão.

Por que importa

A pauta interessa a quem acompanha Geral porque altera expectativas e decisões práticas.

Consequência prática

DivulgaçãoSede da OMC, em Genebra (Suíça) O episódio revela uma questão que ultrapassa o comércio.

As instituições criadas para organizar a cooperação entre os Estados enfrentam dificuldades crescentes para oferecer decisões e procedimentos capazes de produzir segurança e previsibilidade.

O fenômeno aparece também em outros espaços multilaterais.

No G20, a cúpula realizada em 2025, na África do Sul, ocorreu sem a participação dos Estados Unidos, em meio a divergências entre as principais economias do grupo.

No regime climático, o Acordo de Paris dispõe de mecanismos de implementação, transparência e acompanhamento, mas permanece o desafio de transformar compromissos assumidos pelos Estados em resultados efetivos.

Tomados em conjunto, esses fatos apontam para uma tendência mais ampla: a perda gradual de previsibilidade nas relações internacionais.

Conflito com interesses políticos O direito internacional continua existindo.

Tratados continuam em vigor.

Organizações internacionais continuam funcionando.

O que está em questão é a capacidade dessas estruturas de produzir comportamentos previsíveis quando as regras entram em conflito com interesses políticos imediatos.

Spacca… A ordem internacional não desaparece quando uma regra é violada.

Ela se enfraquece quando as violações deixam de produzir consequências previsíveis ou quando a aplicação das mesmas regras passa a sofrer a influência das diferentes capacidades políticas dos Estados envolvidos.

O problema não é apenas jurídico.

É também econômico e estratégico.

Empresas tomam decisões de investimento considerando regras e mecanismos de solução de controvérsias.

Estados negociam acordos porque esperam que compromissos assumidos hoje continuem produzindo efeitos amanhã.

Sem um grau mínimo de previsibilidade, aumentam os riscos e diminuem os incentivos à cooperação.

As instituições multilaterais não eliminam conflitos entre Estados.

Seu papel é oferecer procedimentos para administrá-los sem que cada disputa dependa da relação de força entre os envolvidos.

Quando esses mecanismos perdem eficácia, as alternativas tendem a ser menos estáveis: negociações bilaterais, coalizões circunstanciais e medidas unilaterais.

O resultado pode ser uma ordem mais fragmentada, na qual os Estados com menor capacidade de pressão ficam mais expostos.

O que interessa ao Brasil É nesse ponto que o debate interessa diretamente ao Brasil.

O país não está entre os principais centros de poder militar ou econômico do sistema internacional.

Sua capacidade de influência depende, em grande medida, de instituições e mecanismos que permitam defender seus interesses por meios jurídicos e diplomáticos.

Por isso, para o Brasil, a defesa do multilateralismo não deve ser vista apenas como uma escolha diplomática.

É também uma questão de interesse nacional.

O desafio não é escolher entre soberania e multilateralismo.

Artigo originalmente publicado em conjur.com.br
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