A Moove acaba de reforçar o caixa para se fortalecer em uma nova frente: a de carros autônomos. A empresa global de mobilidade, fundada pelos nigerianos Ladi Delano e Jide Odunsi e que no Brasil é dona da Kovi, levantou US$ 250 milhões em uma rodada Série C que a avalia em US$ 2,1 bilhões.
A rodada foi liderada pela Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi (cidade onde a Moovi tem sua sede), com coliderança da Woven Capital (braço de growth) e da Ion Pacific. A lista de investidores ainda inclui nomes de peso como BlackRock, MUFG, Franklin Templeton, Uber, BlueCrest e Sona Asset Management.
Segundo destacou a startup em comunicado, o dinheiro tem endereço certo: dobrar a aposta da mobilidade autônoma, estreitando parcerias com nomes-chave dessa frente, como a Waymo, do grupo Alphabet.
Por meio dela, a Moove já é uma das principais operadoras terceirizadas de frotas autônomas do mundo, com operações em andamento em Phoenix e Miami. Para os próximos meses, Londres já foi confirmada como o primeiro destino internacional. Para dar conta da expansão, a companhia planeja aumentar em mais de 220% o time dedicado a veículos autônomos até o fim do ano, de cerca de 150 para aproximadamente 500 pessoas.
Segundo o co-CEO Ladi Delano, a mobilidade autônoma não se resolve só com tecnologia embarcada no veículo. Ela depende de capital para comprar frota, de pátios para recarga e manutenção, de logística e de operação ininterrupta, cidade por cidade. É essa “camada operacional” que a Moove quer dominar, gerindo os chamados os “Nests”, depósitos com foco em robótica onde as frotas são recarregadas, revisadas e organizadas para rodar 24 horas por dia.
“Toda grande revolução tecnológica vira uma corrida por infraestrutura. A internet exigiu data centers. A IA exige capacidade computacional. A autonomia exige frotas, recarga, manutenção e operação 24 por 7 em cada cidade, e é isso que a Moove está construindo”, resume Ladi Delano.
O movimento é a evolução natural de uma trajetória construída em cinco anos. Desde 2020, a Moove desenvolveu capital, frota e plataforma para operar ativos de mobilidade por aplicativo com motoristas humanos.
Com esse modelo de negócios, hoje é a maior parceira global de frotas da Uber, saindo de 76 veículos em Lagos, na Nigéria, para cerca de 42 mil carros em 29 cidades de 13 países. Hoje a Moove tem receita recorrente anual (ARR) de US$ 420 milhões.
O crescimento dessa estratégia também passou também por aquisições, incluindo a japonesa Tokyo Taxi e, aqui no Brasil, com a compra do app Kovi, no começo do ano passado.
Agora, o mesmo modelo será adaptado para os robôs sobre rodas. Para os investidores, é uma aposta em quem vai operar os bastidores da nova era do transporte. “À medida que a autonomia se expande, a propriedade e a operação da infraestrutura vão definir os líderes do setor”, aposta Ladi. “Estamos construindo para sermos um deles”, finaliza o executivo, em nota.
Fundada em 2020 em Lagos, na Nigéria, a fintech de mobilidade já tem história com o Mubadala, que liderou a rodada de US$ 550 milhões em 2023 e voltou a investir na Série B de US$ 100 milhões, em março de 2024, aporte liderado pela Uber. Além disso, ela levantou uma dívida de US$ 1,2 bilhão em 2025, justamente para bancar a chegada dos veículos autônomos com a Waymo nos Estados Unidos.
“À medida que a mobilidade autônoma transita da inovação para a implementação em larga escala, a infraestrutura que a sustenta torna-se cada vez mais importante. A Moove está construindo uma plataforma operacional integrada, que combina propriedade de frotas, capacidade operacional e tecnologia, para apoiar a próxima fase de crescimento da mobilidade autônoma”, completa Ali Eid AlMheiri, diretor executivo no Mubadala.
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