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Lowtechpunk vs. Solarpunk: qual é a sua visão de futuro?

Redação Recifes
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Lowtechpunk vs. Solarpunk: qual é a sua visão de futuro?

*Por Flávio Ferrari

A partir da segunda metade do século 19, a tecnologia passou a ser parte indissociável do imaginário do futuro. A época foi marcada por grandes avanços técnicos e científicos: novas fontes de energia, a transformação do ferro em aço, as ruas iluminadas por  lâmpadas elétricas, o metrô londrino, a invenção do telefone e do rádio, além da segunda Revolução Industrial. Tudo isso contribuía para que a humanidade imaginasse futuros fantásticos, embalados pelo progresso da ciência. 

Mas não demorou para que esse entusiasmo utópico desse lugar às distopias. As consequências práticas do avanço tecnológico, culminando nas duas guerras mundiais, mostraram que a tecnologia também seria capaz de produzir futuros catastróficos. 

Artistas e escritores abraçaram esse imaginário, produzindo ilustrações futuristas e uma exuberante literatura de ficção científica, exercícios de imaginação que educaram as novas gerações do século 20. Se, no início desse período, as distopias estavam focadas no totalitarismo político e na opressão tecnológica, o final do século incorporou novas preocupações, como os desastres biológicos e a destruição dos ecossistemas naturais, temas presentes nas obras do cyberpunk. 

Já no século 21, soma-se a esse cenário a preocupação com a saúde mental e uma compreensão mais ampla do conceito de tecnologia, que passa a ir além das máquinas. É nesse contexto que surgem os movimentos Solarpunk e Lowtechpunk. Ambos rejeitam a distopia clássica do cyberpunk ("high-tech, low-life"), mas partem de premissas diferentes sobre tecnologia, limites planetários e o que é desejável ou realista para o futuro. 

Duas visões diferentes para um mesmo futuro

O Solarpunk, surgido nos Estados Unidos, defende o uso de tecnologias avançadas, limpas e integradas à natureza como painéis solares, arquitetura orgânica, microgrids e agricultura urbana de alta produtividade como caminho para futuros melhores. Sua estética combina natureza e alta tecnologia, projetando uma sociedade cooperativa, equitativa e regenerativa, com forte ênfase na comunidade, na justiça social e na recuperação dos ecossistemas. O apocalipse pode até ser o ponto de partida, mas o foco está na construção  de um mundo melhor a partir do presente. 

O Lowtechpunk, por sua vez, inspirado pelos estudos da colapsologia francesa (Arthur Keller), propõe uma preferência deliberada por tecnologias low-tech ou mid-tech: simples, reparáveis localmente, de baixo impacto energético e material, baseadas em saberes humanos, como técnicas artesanais, bicicletas, rádio analógico, materiais locais e sistemas passivos. Sua premissa é a da "grande simplificação", ou seja, uma redução do consumo de energia e materiais.

Parte da ideia de que sistemas hipercomplexos e altamente globalizados tendem a se tornar frágeis ou inviáveis, enquanto a resiliência nasce da autonomia, da engenhosidade e da capacidade de fazer mais com menos. Por isso, enfatiza a reparabilidade, a manutenção comunitária, a sobriedade e a robustez diante de rupturas nas cadeias de suprimentos. Suas narrativas costumam se passar em cenários de colapso parcial ou de escassez de recursos, mas preservando a dignidade humana e a possibilidade de regeneração, não um apocalipse total. 

Apesar das diferenças, ambos compartilham o DNA punk: valorizam o "faça você mesmo" (DIY), a descentralização, a autonomia, a vida em comunidade e a responsabilidade ecológica, rejeitando o modelo "high-tech, low-life" sem cair no fatalismo

Os bordões de cada movimento resumem bem suas filosofias:  

"Somos solarpunks porque o otimismo nos foi tirado e estamos tentando recuperá-lo" 

"Construir um sistema low-tech é, ao mesmo tempo, um ato de resistência e de resiliência". 

E você? Com qual dessas visões de futuro se identifica? 

Confira também como a internet pode operar sem intervenção humana no futuro.

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Artigo originalmente publicado em canaltech.com.br
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