Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bonus

Insights Logweb – O movimento da semana de 24 a 28 de agosto

Redação Recifes
2 visualizações
Insights Logweb – O movimento da semana de 24 a 28 de agosto

A logística amadureceu: agora, inovação precisa entregar resultado

*Por Valeria Lima

Quanto vale transformar 15 minutos em 30 segundos?

No Latam MRO de São Carlos, SP, esse foi o resultado obtido com a utilização de drones no transporte interno de pequenos materiais entre o armazém e as oficinas de manutenção.  Uma redução de aproximadamente 96,7% no tempo de entrega.  O número impressiona.  Mas talvez o mais importante não seja o drone.  É o problema que ele resolveu.

Antes, a movimentação dependia de veículos utilitários e estava limitada a três janelas diárias de coleta. Com os drones, as entregas passaram a acontecer sob demanda, e os profissionais que realizavam essas movimentações puderam se dedicar a materiais maiores e atividades mais especializadas.

Esse caso ajuda a compreender um movimento que aparece em diferentes notícias publicadas pelo Portal Logweb nesta semana.  Depois de anos falando sobre digitalização, inteligência artificial, automação, novos combustíveis e transformação logística, uma nova pergunta começa a ganhar importância: qual resultado essa inovação efetivamente entrega para a operação?

Talvez seja um sinal de amadurecimento. A inovação continua fundamental. Mas novidade, por si só, já não basta.

Quando a tecnologia deixa de impressionar e começa a resolver

Outro exemplo vem da Argentina. O “Correo Argentino” implantou em Monte Grande um hub de triagem postal totalmente robotizado, com 240 robôs autônomos. A estrutura pode processar até 9 mil encomendas por hora, triplicando a capacidade anterior da unidade. Novamente, a tecnologia chama atenção.

Mas os resultados contam uma história mais interessante.

Além do aumento de capacidade, o sistema apresenta acurácia superior a 99,9%, amplia a utilização do espaço e permite que a operação cresça com a adição de robôs e novos destinos sem exigir uma expansão física proporcional.

Ou seja: a automação começa a responder a problemas muito concretos da logística: Capacidade – Precisão – Espaço Escalabilidade – Custos – Picos de demanda.

É uma diferença importante. Durante muito tempo, boa parte da conversa sobre transformação digital esteve concentrada na tecnologia que estava chegando.

Agora, talvez estejamos entrando em uma fase em que a discussão será sobre o que ela consegue entregarA inteligência artificial encontra a operação

A mesma mudança começa a acontecer com a inteligência artificial.

A Geotab anunciou uma tecnologia que permite conectar dados operacionais das frotas a ferramentas de IA generativa.

Na prática, gestores podem consultar informações utilizando linguagem natural, realizar análises e acessar dados operacionais sem depender da navegação entre diferentes painéis e sistemas.  A IA deixa, portanto, de ser apenas uma ferramenta capaz de produzir respostas.  Ela começa a se aproximar do cotidiano da gestão.

Essa mudança é significativa.

Porque o valor da inteligência artificial na logística provavelmente não será determinado pelo número de empresas que afirmam utilizá-la.  Será determinado por perguntas muito mais simples:

– Ajudou a reduzir custos?

– Melhorou a disponibilidade dos ativos?

– Antecipou uma falha?

– Aumentou a produtividade?

– Acelerou uma decisão?

– Reduziu risco?

Quando essas respostas começam a aparecer, a tecnologia deixa o campo da experimentação e passa a fazer parte da gestão.

Sustentabilidade também entra na fase da comprovação

Talvez um dos sinais mais interessantes desta semana esteja na transição energética.

Um caminhão operado pela JBS, abastecido exclusivamente com biodiesel B100, ultrapassou 500 mil quilômetros rodados sem adaptações mecânicas. O veículo está em operação há três anos no trajeto entre Lins e o Porto de Santos, transportando cargas de exportação.

Mais do que um teste pontual, trata-se de uma operação submetida à realidade do transporte rodoviário. A frota envolvida no projeto já acumula mais de 1,1 milhão de quilômetros.

Nesta mesma semana, a Reiter Log anunciou a aquisição do primeiro caminhão elétrico Scania do Brasil.

A GWM realizou o primeiro transporte de carga com caminhão a hidrogênio da América Latina.

A Log-In avançou na modernização de sua frota buscando maior eficiência energética na cabotagem.

E a DHL Supply Chain apresentou embalagens térmicas retornáveis para operações do setor de saúde.

São tecnologias diferentes para problemas diferentes. Mas existe algo em comum entre elas.

A sustentabilidade começa a ser submetida ao teste da operação: Autonomia – Desempenho – Infraestrutura – Custo – Durabilidade – Escala – Redução efetiva de emissões.

A transição para uma logística de menor impacto ambiental provavelmente não acontecerá por meio de uma única tecnologia vencedora.  Será construída pela capacidade de encontrar a solução adequada para cada tipo de operação.

Maturidade também significa enxergar o que não faz barulho

Mas talvez o contraponto mais importante desta semana não venha de uma nova tecnologia.  Venha da gestão.

Em sua coluna no Portal Logweb, Adriana Bueno chama atenção para um comportamento frequente nas organizações: pequenos problemas operacionais conseguem mobilizar enorme energia enquanto riscos estruturais permanecem quase invisíveis.

Na gestão de estoques, isso pode significar discutir pequenas ocorrências enquanto questões como baixa acuracidade, obsolescência, avarias, capital imobilizado e ausência de governança continuam afetando silenciosamente o resultado.

A provocação é importante porque tecnologia alguma resolve falta de prioridade.  Um WMS pode ampliar a visibilidade.  Um algoritmo pode analisar dados.  Uma IA pode encontrar padrões.  Mas nenhuma ferramenta substitui a capacidade da liderança de identificar qual problema realmente importa.

Talvez esse seja um dos sinais mais claros de maturidade operacional.

Não é resolver mais problemas.  É saber quais problemas merecem ser resolvidos primeiro.

Estoque alto não significa necessariamente segurança

O artigo de Rodolfo Cassorillo amplia essa discussão ao questionar outra percepção comum nas operações: estoque cheio pode esconder uma operação ineficiente.

Durante muito tempo, estoques elevados foram associados à segurança. Mais produto disponível significaria menor risco de ruptura.  Mas excesso de estoque também pode representar falhas de planejamento, capital imobilizado, baixa previsibilidade e processos pouco integrados.

É mais um exemplo de como a logística está ficando menos tolerante a indicadores superficiais. Ter mais não significa necessariamente estar melhor preparado.  Movimentar mais não significa necessariamente ser mais produtivo.  Automatizar mais não significa necessariamente ser mais eficiente.  Digitalizar mais não significa necessariamente decidir melhor.

Maturidade é conseguir enxergar o que existe por trás do indicador

O risco também precisa entrar antes da crise. Essa mudança de perspectiva aparece ainda na discussão sobre clima e cadeia de suprimentos.

O artigo de Hélcio Lenz sobre os impactos do El Niño na América Latina chama atenção para a necessidade de incorporar eventos climáticos ao planejamento logístico.

Estradas podem ser interrompidas.  Portos podem sofrer restrições.  Rotas podem se tornar inviáveis. Fornecedores podem enfrentar dificuldades. Estoques podem ficar mal posicionados.

Durante muito tempo, acontecimentos dessa natureza foram tratados como exceções.  Em cadeias cada vez mais complexas e expostas a eventos extremos, passam a fazer parte do planejamento.  Isso exige uma mudança importante de comportamento: sair da gestão da ocorrência para a gestão da possibilidade.

Não significa prever tudo.  Significa construir alternativas antes que sejam necessárias.

E essa capacidade de antecipação é outra característica de uma operação madura.

O Brasil não precisa esperar 2050 para começar

O debate sobre maturidade também aparece em uma escala muito maior.

O artigo de Marcos Rodrigues sobre o Plano Nacional de Logística 2050 lembra que o custo logístico brasileiro atingiu 15,5% do PIB em 2025. O país possui grandes desafios estruturais e precisará de investimentos de longo prazo. Mas há uma mensagem especialmente relevante nessa análise: não é necessário esperar todas as grandes obras ficarem prontas para buscar eficiência.

Empresas podem combinar melhor os modais disponíveis. Reavaliar rotas. Reduzir tempos de espera. Aproveitar estruturas existentes. Planejar melhor seus fluxos.

É uma lógica que vale tanto para o sistema logístico brasileiro quanto para uma operação individual.

Maturidade não é esperar pelo cenário ideal. É conseguir produzir o melhor resultado possível com os recursos disponíveis enquanto se constrói o próximo estágio.

Crescer também exige estrutura

A expansão física continua acontecendo.

A Scania ampliou sua estrutura de distribuição de peças na América Latina.

A naPorta expandiu suas operações para Espírito Santo e Minas Gerais.

Novas plataformas de entrega expressa avançam no país.

A Aliança Navegação e Logística inicia operações na APM Terminals Suape.

As importações também se preparam para o aumento de demanda associado à Black Friday e ao Natal.

Tudo isso mostra um setor em movimento. Mas crescimento e maturidade não são necessariamente a mesma coisa. Uma operação pode aumentar volume, clientes, ativos e presença geográfica e, ainda assim, tornar-se mais vulnerável.

Quanto maior a operação, maior a necessidade de processos, visibilidade, pessoas qualificadas, governança e capacidade de adaptação.

Crescimento amplia a operação. Maturidade sustenta o crescimento. E nenhuma operação amadurece sem pessoas

Em meio a tanta tecnologia, uma notícia desta semana merece atenção especial.

LOTS Group e SEST SENAT abriram uma nova turma para formação de mulheres motoristas de caminhão em São Paulo.

A iniciativa aponta para um desafio que acompanha a modernização do setor: ampliar e qualificar a base de profissionais capazes de operar uma logística cada vez mais sofisticada.

Ao mesmo tempo, a ABOL lançou um guia para orientar a atuação dos Operadores Logísticos na indústria farmacêutica, segmento no qual conformidade, rastreabilidade e controle são especialmente críticos.

São movimentos diferentes, mas que apontam para o mesmo princípio. Operações maduras dependem de tecnologia. Mas também dependem de conhecimento. Qualificação – Método – Responsabilidade – Governança – E pessoas preparadas para tomar decisões.

Da inovação à maturidade

Quando observamos as notícias desta semana em conjunto, talvez estejamos diante de uma mudança importante na conversa sobre inovação logística.

O setor não deixou de experimentar, ao contrário, drones estão voando. Robôs estão movimentando encomendas. IA começa a conversar diretamente com dados operacionais. Caminhões utilizam biodiesel, eletricidade e hidrogênio. Novos modelos de entrega estão surgindo. Mas a inovação começa a enfrentar uma pergunta muito mais exigente: funciona?

– Funciona em escala?

– Reduz custo?

– Economiza tempo?

– Melhora produtividade?

– Aumenta segurança?

– Reduz emissões?

– Ajuda pessoas a decidir melhor?

– Torna a operação mais resiliente?

Talvez esse seja um sinal saudável de evolução. Porque inovação não deveria ser medida pela sofisticação da tecnologia. Deveria ser medida pela capacidade de transformar a realidade da operação.

Os Cinco Movimentos da Semana

A tecnologia passa pelo teste do resultado — drones, robótica e inteligência artificial começam a demonstrar impacto concreto sobre tempo, capacidade, produtividade e decisão.

A sustentabilidade entra na operação real — biodiesel, eletrificação, hidrogênio, eficiência energética e soluções retornáveis avançam da intenção para aplicações práticas.

Gestão madura significa enxergar além dos indicadores aparentes — estoques elevados, pequenos desvios e métricas isoladas podem esconder riscos estruturais muito maiores.

Automação começa a mudar a relação entre capacidade e infraestrutura — novas tecnologias permitem aumentar produtividade e escala sem exigir crescimento físico na mesma proporção.

Complexidade exige conhecimento, governança e pessoas qualificadas — tecnologia amplia possibilidades, mas processos, conformidade, planejamento e capacitação continuam determinantes.

O que observar daqui para frente

A próxima fase da transformação logística deverá ser menos marcada pela novidade das tecnologias e mais pela comparação entre seus resultados.

Será importante observar quais aplicações de inteligência artificial conseguem efetivamente melhorar decisões e quais permanecem restritas à experimentação.

Na automação, produtividade, flexibilidade e retorno sobre o investimento deverão ganhar ainda mais importância.

Na transição energética, o desafio será descobrir quais tecnologias conseguem reunir desempenho operacional, infraestrutura disponível, redução de emissões e viabilidade econômica.

E, na gestão, talvez o maior avanço seja outro:

trocar a cultura de reagir ao problema mais visível pela capacidade de identificar antecipadamente o problema mais relevante.

Reflexão Logweb

Durante muito tempo, perguntamos:

– Qual será a próxima tecnologia?

– Qual será o próximo combustível?

– Qual será o próximo sistema?

– Qual será a próxima grande transformação?

Talvez seja hora de mudar a pergunta. Porque uma operação não se torna madura pela quantidade de tecnologia que possui.

Torna-se madura pela capacidade de escolher onde inovar, medir o resultado, reconhecer seus riscos e abandonar aquilo que não gera valor.

Por isso, talvez a pergunta mais importante para a logística já não seja: “Qual é a próxima inovação?”

Mas: “Qual problema real essa inovação consegue resolver?”

Quando essa pergunta passa a orientar investimentos, processos e decisões, inovação deixa de ser novidade.

E passa a ser resultado.

*Valeria Lima
Presidente Instituto Logweb de Logística e Supply Chain
Diretora da Logweb – Mídia Especializada em Logística

“As notícias informam. O Insights Logweb conecta os fatos e revela os movimentos que ajudam a compreender o futuro da logística brasileira.”

O post Insights Logweb – O movimento da semana de 24 a 28 de agosto apareceu primeiro em Portal Logweb.

Acompanhe a Recifes.net

Gostou desta leitura? Siga a Recifes nas redes e receba as proximas pautas no WhatsApp.

Artigo originalmente publicado em logweb.com.br
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!