Dona de madeixas loiras volumosas, de figurinos revestidos de strass, de uma personalidade extravagante e de algumas das letras mais conhecidas da história da música popular, Dolly Parton morreu aos 80 anos na última terça-feira (25). A equipe da rainha do country revelou que a causa da morte foi um câncer diagnosticado recentemente.
Desde então, os dias têm sido marcados por homenagens de familiares, amigos e, principalmente, fãs de todo o mundo. Na morte, assim como em vida, Dolly se mostra uma figura unificadora em meio a um mundo tão polarizado. Seu legado é celebrado tanto pela Casa Branca e pela família real britânica, quanto por artistas, pela comunidade LGBTQIA+ e também pela comunidade científica.
Nascida no Tennessee, a quarta filha de uma família de 12 cresceu em uma casa de um único quarto numa região rural de extrema pobreza. Ainda na infância, Dolly começou a compor baladas e a cantar em rádios locais – em uma época em que era ainda difícil ver mulheres terem sucesso na música country, e ainda mais difícil que elas também se consolidassem como compositoras.
A cantora veio a ter uma das carreiras mais bem sucedidas na história do gênero musical. Mesmo assim, jamais esqueceu suas origens e fez desse sucesso um meio para ajudar causas beneficentes. Conheça algumas:
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Dollywood Foundation
O pontapé inicial de Dolly na filantropia começou em sua cidade natal, Sevier County. Em 1988, buscando reduzir a taxa de evasão escolar da região, a cantora criou o Dollywood Foundation. A fundação apoia iniciativas para manter as crianças na escola e para garantir a alfabetização infantil.
Desde a sua criação, o principal projeto da organização, a Imagination Library – que começou como uma iniciativa local – , já presenteou mais de 270 milhões de livros à crianças menores de cinco anos nos EUA, no Canadá, no Reino Unido, na Irlanda e na Austrália.
Hoje, uma em cada seis crianças americanas com menos de cinco anos, independente de renda, recebe livros da biblioteca, segundo a própria organização.
Saúde pública
Em 1994, Dolly escreveu “You gotta be my baby” para o álbum beneficente Red Hot + Country. O dinheiro arrecadado foi destinado ao combate da epidemia de HIV, e logo após a compositora se juntou a outras 35 estrelas da música country em uma campanha de conscientização sobre a doença, chamada “Break the Silence” (“Quebre o silêncio”).
Ao contrário de muitas figuras públicas da época, Dolly usou sua influência para apoiar a comunidade LGBTQIA + e desestigmatizar o HIV.
A rainha do country chegou a doar dinheiro para diversas causas. Em 2010, arrecadou US$ 500 mil em um show beneficente em sua cidade natal para o LeConte Medical Center, que nomeou uma de suas alas “Dolly Parton Center for Women’s Services” – dedicada à cuidar da saúde da mulher.
Dolly também doou US$ 1 milhão para pesquisas sobre doenças infecciosas pediátricas. E, em fevereiro deste ano, o hospital infantil East Tennessee foi renomeado em sua homenagem. Agora, ele se chama Dolly Parton Children’s Hospital.
Financiadora de pesquisas
Talvez a maior contribuição de Dolly nos últimos anos tenha sido seu papel na criação de uma das vacinas contra a covid-19, a Spikevax.
Em março de 2020, a compositora doou US$ 1 milhão ao Centro Médico da Universidade Vanderbilt (VUMC), em Nashville, Tennessee (EUA). De acordo com pesquisadores, o recurso ajudou a financiar as etapas iniciais da pesquisa sobre a vacina produzida pela farmacêutica norte-americana Moderna.
Pelo menos 37 artigos creditam o fundo de pesquisa de Dolly Parton pelo apoio recebido, segundo uma análise da revista Nature.
Em março de 2021, foi a vez de Dolly finalmente receber a dose da vacina Spikevax. O momento foi registrado em vídeo, onde a cantora incentiva outros a fazerem o mesmo: “Tenho idade suficiente para tomá-la e sou inteligente o bastante para tomá-la.”
A ovelha Dolly
Aqui, vale destacar também uma contribuição indireta de Dolly Parton à ciência. Na verdade, uma homenagem bem-humorada.
Em 1996, uma ovelha foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso e recebeu seu nome “Dolly” em homenagem à lenda country. John Bracken, assistente na criação da ovelha Dolly, disse que os envolvidos decidiram chamá-la assim porque suas células eram derivadas de tecido mamário – e Dolly Parton era conhecida, em parte, por seu corpo curvilíneo. A cantora, por sua vez, foi gentil e disse que se sentiu lisonjeada pela homenagem.
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